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Dá para falar sobre cancro e amor na juventude?

Imagem corporal

Há muito a ideia de que não estamos “ao nível” de outras raparigas da nossa idade: ou porque ganhámos muito peso e não somos magrinhas como elas, porque perdemos o nosso cabelo, porque elas podem ser mais livres e ter uma vida normal, enquanto nós temos de lutar por uma normalidade, nem que seja mínima…. Diana, teve cancro

Só quem teve cancro é que percebe realmente o impacto que tem no nosso corpo. E quando somos crianças, ainda em desenvolvimento, esse impacto torna-se ainda maior. Ver a diferença do meu corpo antes e após tratamentos foi e é algo que ainda me deixa inquieta. Tudo muda, nada é igual, quem sou eu afinal? A minha auto-estima foi desaparecendo aos poucos. E quando adiciono isso ao facto de ter incapacidades auditivas também a autonomia vai atrás da auto-estima. As duas se perdem. Só a força que aprendi, que ganhei com tal desafio que é o cancro é que me permite ainda mantê-las ‘vivas'”. Maria Alberta, teve cancro

Há aquela ideia de que não somos bonitas o suficiente, ou o nosso corpo está demasiado afectado para algum rapaz gostar de nós. Assim sendo, há uma espécie de isolamento, muitas vezes imposta por nós mesmas.” Diana, teve cancro

Amor próprio
“Sempre tive problemas com amor próprio. Nunca pensei que fosse tão boa pessoa ou que fosse tão “normal” fisicamente devido a minha estatura mais larga. Com o diagnóstico, no início, só tinha piorado com as alterações todas que tive. Porém, mais para o fim dos tratamentos comecei a perceber que tenho de me amar tal como sou e desde daí tenho-me dedicado muito a praticar exercício, perder gordura que tanto detestava e ainda detesto alguma, como muita gente, e priorizo-me mais.” Rui, teve cancro

Durante muitos anos após cancro, sempre tive a sensação que nunca ninguém ia gostar de mim ou pelo menos eu não acreditava nisso, então tive que aprender a aceitar antes de seguir em frente. A primeira relação que devemos ter é connosco próprios e só após ter uma relação saudável a esse nível, é que é possível partilhar a vida com outro alguém.” Carolina, teve cancro

Foi durante essa experiência de vida (cancro) que me permiti amar mais. Parece estranho, mas quando me olhava ao espelho sentia-me diferente, não no mau sentido, mas essas diferenças, seja no cabelo ou noutro tipo de sequela dos tratamentos faziam com que eu fosse encontrar aspetos meus, que talvez nunca tivesse reparado.
E, por isso, acredito que tenha sido nas diferenças que me comecei a amar mais, e, hoje em dia, posso dizer que sou uma pessoa muito mais confiante e com bastante amor próprio, porque o cancro me fez aceitar a ser como sou e a valorizar muito mais o interior do que o físico das pessoas, pois esse pode alterar com qualquer coisa, mas não é por isso que irei ser mais ou menos que alguém, ou que têm de sentir pena de mim. Sou uma pessoa confiante, feliz, com muita força de vontade para ultrapassar qualquer obstáculo e com muito amor para dar tanto para mim, como para àqueles que me rodeiam.” Leandra, teve cancro

Namoro e intimidade

Quando tive o diagnóstico de cancro não estava a namorar e durante alguns anos não me envolvi com ninguém, não só por estar em tratamento e mais isolada, mas porque acabava por repetir coisas desagradáveis a mim mesma por medo de rejeição. Porém, ao longo do tempo fui compreendendo que anteriormente, sem cancro, também tinha tido relacionamentos que tinham falhado, por isso, a causa tinha sido outra. Decidi, que por desagradável que fosse, se alguém me rejeitasse por ter tido cancro, essa pessoa não seria certamente alguém com quem quereria estar. Percebi também, que também continuaria a poder gostar e escolher com quem estar,  que por ter tido cancro não estaria numa situação e que fosse o outro a aceitar-me ou a rejeitar-me. Decidi que teria que arriscar e ver o que aconteceria! Comecei a ter alguns encontros, sem meter na cabeça que aquele seria o tal! Mas antes, uma possibilidade de conhecer alguém e de me dar a conhecer e que se fizesse sentido partilharia o que me tinha acontecido…a verdade é que sempre que partilhei, encontrei compreensão, carinho, compaixão, surpresa etc. mas nunca rejeição! Isso ajudou-me a sentir-me mais confiante e a perceber que tinha imaginado cenários bem mais negativos do que aqueles que aconteceram.” Sofia, teve cancro

Namorar representava ainda outras preocupações, como se teria problemas ao ter relações sexuais…mais uma vez, quando chegou o momento, quando me senti segura para tal, partilhei os meus medos e percebi que tinha sido uma preocupação desnecessária. Hoje sou casada e tenho um relacionamento no qual sou respeitada e compreendida e no qual não sou de todo limitada pelo cancro. Quem não passa pelo cancro, pode também ter receios, medos e preocupações, sejam elas de que natureza for. Nós somos mais do que aquilo que nos acontece, e devemos lembrar-nos disso e focarmo-nos nas nossas qualidades!” Sofia, teve cancro

Sexualidade

Na última recaída encontrava-me numa situação activa da minha vida amorosa e sexual. É claro que as vontades diminuíram com o abalo dos tratamentos, mas não deixei de me admirar e procurar em mim a beleza e o amor.” Júlia, teve cancro

Sinto que não se fala sobre estas coisas e perguntar sobre sexo aos médicos é ainda um tabu para muitas pessoas. Quando saí do internamento um enfermeiro, de quem me sentia mais próxima, veio falar comigo sobre o que poderia ou não fazer nos próximos meses de recuperação. Ele próprio abordou a questão do sexo, porque sabia que essa parte da minha vida estava ativa antes do transplante.
Eu gostei muito que ele o tivesse feito, porque na verdade queria muito perguntar, mas sentia que essa não devia ser a minha prioridade. A prioridade era sair do internamento. Mas no fundo estava ansiosa para falar do assunto. E acabou por ser uma conversa normal e tranquila e eu fiquei a saber como podia proteger-me mais, durante a minha recuperação.
É importante falar deste tema, porque todos os temas que se relacionam connosco, seja o sexo ou outras atividades que nos interessem, são prioridades.” Júlia, teve cancro

Ser adolescente nunca é fácil e ser adolescente e descobrir que se tem um tumor hormonal muito raro ainda dificulta mais as coisas. Lembro-me do meu primeiro namorado de todos (tinha eu 17 anos) acabar comigo depois da minha terceira cirurgia e dizer-me “Agora que estás melhor da perna consegues arranjar outro” e durante toda a minha vida (até há pouco tempo) eu senti que estavam comigo se calhar por pena, por solidariedade ou pela curiosidade de namorar alguém com incapacidade. E isso fez com que eu passasse a ter complexos com o meu corpo, com a minha doença e com as sequelas que as cirurgias e os tratamentos trouxeram.
Fiquei com alguns problemas a nível sexual devido à radioterapia, que não vale a pena estar agora aqui a descrever quais, mas isso também acabou por interferir muito na intimidade e na minha vida amorosa. Entre o meu psicológico, as sequelas de tudo e a maneira como os outros me viam, foi constantemente uma luta com o ficar OK comigo mesma e o meu parceiro da altura” Paula, teve cancro

Fertilidade

Quando comecei a pensar mais na fertilidade e no ser mãe fui encontrando vários obstáculos, desde a própria doença e os possíveis tratamentos, à pouca informação disponibilizada pela equipa médica, e tive de ser eu, junto da minha psicóloga, da minha família e da Acreditar, a fazer pesquisas e a informarmo-nos de outras alternativas, para depois eu decidir o que iria fazer em relação a mim e à doença, de forma a salvaguardar o sonho de ser mãe.
Quatro anos após a amputação estou a viver junta com um Homem que me admira, respeita e ama e temos juntos uma pequena bebé de 4 mesinhos! O amor existe e é real, é possível encontrarmos um parceiro para a vida e é possível no meio do caos encontrarmo-nos a nós e ao nosso amor próprio! Não desistam dos vossos sonhos nem do amor ❤” Paula, teve cancro

Será que conseguirei engravidar? Terei problemas associados? Acho que este tema, acaba por ser uma parte mais “desvalorizada”, meio que colocada de lado porque há questões mais importantes no momento. Não é dada muita informação no possível impacto que poderemos vir a enfrentar face aos tratamentos.” Diana, teve cancro

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