Foi há 30 anos que um grupo de pais de crianças com cancro criou a Acreditar. Movidos pela intensidade de uma vivência muito particular e profundamente conhecedores do tanto que havia a fazer pela qualidade de vida em oncologia pediátrica, arregaçaram mangas!
À experiência de quem passou pelo mesmo – e guia a Associação, juntaram-se os profissionais. Hoje, acompanhamos as famílias desde o diagnóstico e para lá da doença. Procuramos adaptar-nos às novas e múltiplas realidades e necessidades – das crianças e dos jovens; dos seus pais, irmãos, colegas; da escola e emprego, enfim da sociedade. Estamos ao lado daqueles que, apesar de curados, têm a doença ainda muito presente nas suas vidas. As famílias que perderam os seus filhos podem continuar a contar connosco para uma vivência o mais pacificada possível com esta perda sem nome.
Em 30 anos, pudemos assegurar a 15.000 famílias que não estão sós nos desafios que a doença traz ou intensifica.
Dedicamo-nos ao acompanhamento emocional, social, psicológico, escolar, logístico etc., sempre próximo e personalizado. Junto dos decisores, à defesa dos direitos e dignidade de todos os afetados pela doença. Com os investigadores somos a voz de quem vive a doença, para que se invista em mais cura e menos sequelas.
Passados 30 anos, celebramos a entrega de todos aqueles que conjugam este verbo que nos guia. Com o Alto Patrocínio da Presidência da República, marcamos todos estes anos de vidas partilhadas com 4 concertos e 4 conferências entre Lisboa, Porto, Coimbra e Madeira. Queremos celebrar consigo!
Encerrámos a celebração dos 30 anos da Acreditar com um concerto em Lisboa.
Conheça aqui os principais momentos desta noite.
Participação Especial: Sérgio Godinho com Filipe Raposo Narração: Mariana Caldeira Pinto Saxofone: Ana Sousa Clarinete: Ângelo Daniel Santos Guitarra portuguesa: Eduardo Baltar Soares e Diogo Mendes Guitarra: Agustin Lassale Piano e Voz: Gabriel Santos Violino e Vozes: Sabrina Santos Vozes e Percussões: Iara Espírito Santo e Nide Santos Percussão: Bruno Estima, David Calhau, David Valente, Eduardo Neves, João Bastos, Leandro Loureiro e Miguel Estima Bailarinos: Maria Mira e Ricardo Henriques. Produção: :IEncorArte Com: Som da Palavra, Trio Despertar, CRASSH, GAND’RA e CPBC – Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo.
O concerto contou com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Fundação La Caixa. Mais que uma celebração musical, este concerto é um manifesto de esperança.
A Acreditar lançou a discussão pública sobre os desafios que se colocam a quem, não sendo criança, ainda não é plenamente adulto e vive o cancro em “terra de ninguém” sabendo que é imprescindível conhecer as características e necessidades desta população para, dos cuidados de saúde ao acompanhamento psicossocial, garantir qualidade de vida na doença e na sobrevivência.
Conheça aqui o programa e veja aqui as imagens deste encontro.
Nesta conferência apresentámos o estudo da Acreditar que, pela primeira vez, faz uma caracterização aprofundada das necessidades deste grupo em Portugal. As conclusões revelam vulnerabilidades críticas ignoradas pelos serviços: o impacto da doença no percurso de vida é massivo e prolongado. Verificam-se lacunas nos cuidados durante os tratamentos (ao nível do acompanhamento psicológico, nutrição, fisioterapia, escolar e orientação profissional; apoios financeiros, etc.). Conclui-se que esta população necessita de um modelo multidisciplinar estruturado inexistente hoje no SNS. A transição entre serviços de pediatria e de adultos é um ponto crítico pois é marcada pela falta de organização e comunicação. Porque o fim dos tratamentos não representa o fim da doença, é indispensável um acompanhamento prolongado clínico e psicossocial especializado para sobreviventes adolescentes e jovens adultos.
Entre estes dois mundos e com os olhos no futuro, encerramos o ciclo de conferências com que assinalamos o 30.º aniversário da Acreditar.
Na região da Madeira os 30 anos da Acreditar foram celebrados com a Orquestra Clássica da Madeira num concerto que contou com a presença especial do clarinetista Carlos Ferreira.
O lindíssimos Teatro Municipal Baltazar Dias foi palco deste encontro entre a arte que tanto nos inspira e a dedicação de muitíssimos que ao longo de três décadas acompanharam e foram acompanhados sempre que o cancro se pôs no caminho.
Encontra aqui imagens desta tarde especial.
Lançámos a discussão sobre a organização dos cuidados em oncologia pediátrica.
Na Fundação Champalimaud assinalámos os 30 anos da Acreditar numa conferência que contou com a partilha de experiências internacionais do Prinses Maxima Centrum dos Países Baixos e do Children’s Health Ireland que, ao contrário de Portugal, têm modelos centralizados de cuidados.
Foi rico o debate entre pais, ex-doentes e profissionais de saúde com especialistas do IPO Lisboa, da Sociedade de Hematologia e Oncologia Pediátrica, do IPATIMUP, da Fundação Champalimaud e do SIOP – International Society of Paediatric Oncology.
As experiências internacionais apresentadas demonstram que os melhores resultados surgem de volume adequado, equipas multidisciplinares completas e proximidade entre cuidados clínicos e investigação.
O modelo português, que consiste em três soluções que nasceram sem estratégia nacional, revela fragmentação, falta de massa crítica, desigualdade de respostas e ausência de um percurso clínico verdadeiramente nacional.
Concluiu-se que a reorganização dos cuidados constitui uma necessidade estratégica para melhorar resultados e garantir equidade no acesso e deve ter como único principio orientador o superior interesse da criança e do jovem.
A Acreditar reafirma o compromisso de tudo fazer para que se encontrem soluções que garantam tratamentos mais eficazes, mais cura, menos sequelas e mais qualidade de vida. Sempre, sempre norteados pelo interesse da criança doente.
Conheça aqui as imagens deste dia.
Com a participação da Banda Sinfónica Portuguesa, da Joana Almeirante e do Coro do Conservatório de Música, Teatro e Dança de Vila do Conde foi um intenso e bonito momento de celebração – uma oportunidade para homenagear todos os que fazem parte desta história e renovar o nosso compromisso para o futuro.
Espreite aqui os ensaios numa reportagem do JN e testemunhe aqui a alegria e empenho do Coro Infantil do Conservatório de Vila do Conde e aqui as imagens para recorda este dia especial!
Aos desafios inerentes à doença oncológica de um filho, uma família residente nas ilhas vê acrescida a obrigatoriedade de se deslocar até ao continente para tratamentos, por regra demorados.
Nesta conferência olhámos a fundo para a complexidade da vivência: o impacto humano, social e logístico, a profunda reorganização da vida familiar marcada pela pressão económica e emocional.
Salientamos:
Moderado por Filipe Gonçalves, jornalista e voluntário da Acreditar, reunimos o Secretário Regional da Saúde e Proteção Civil; a mãe de uma criança com cancro, um jovem que teve cancro; a responsável pela Unid. Oncologia Pediátrica do Hospital Dr. Nélio Mendonça; uma assistente social do SESARAM, a Gestora da Casa Acreditar de Coimbra e, ainda, a vereadora Pelouro do Social e da Saúde da Câmara Municipal do Funchal.
Encontra aqui as imagens deste encontro.
Até dia 15 de Fevereiro de 2025, estamos todos convidados a participar no concurso de desenho para uma ou ambas as peças:
Se não nos conhece (bem), visite o nosso site e, se necessitar de esclarecer alguma questão, contacte-nos pelo e-mail .
Encontra aqui o regulamento do concurso e, como material de apoio sugerimos a consulta:
Pode conhecer aqui os trabalhos vencedores.
“Em que é que nós acreditamos? Não acreditamos em nada que não esteja nas nossas mãos. Acreditamos em tudo o que está nas nossas mãos. A força da Acreditar não são paredes, nem os profissionais, mas acima de tudo, estão pais, com as fragilidades de pais, com a dor de um pai e um impulso de criarmos qualquer coisa muito maior do que qualquer um de nós. E não prescindimos.
Alegria, no princípio perguntavam-me, mas como é que se pode falar de alegria? Uma criança vive no presente, não vive nem no passado nem no futuro. O futuro não existe ainda. E o presente não sabemos quanto tempo dura. Nunca sabemos. Por isso este dia tem de ser o mais feliz possível.”
Ana Corrêa Nunes
“A Acreditar começou em 1992, e é uma iniciativa de um grupo de pais que se encontrava no sétimo piso de pediatria. Reuníamo-nos porque não havia condições, não havia informação, espaços nas consultas externas. Nada estava preparado para receber crianças com cancro. E achávamos que deveríamos mudar alguma coisa. Este foi o inicio da Acreditar. Gradualmente, fomos conquistando espaço e terreno. pedimos ajuda ao Dr. Gentil Martins que se juntou a nós e abriu as portas para o IPO Lisboa e da Liga Portuguesa Contra o Cancro.”
Ansfriede Zwaagstra
30 anos a cuidar da criança para lá do cancro
Há 30 anos, o cancro representava uma pausa na infância de uma criança. Hoje, a realidade é outra. Com a Acreditar as famílias podem continuar a ter uma vida o mais normal possível. E só é possível porque o fazemos juntos. E isso nunca vai mudar.
Com o trabalho criativo oferecido pela agência publicitária Tux&Gill, encontra o vídeo aqui.
Há 30 anos, quase ninguém sabia que as crianças como eu também podiam ter cancro.
Há 30 anos, os pais ficavam cheios de medo porque sabiam que muitas crianças não iriam nunca crescer e ser pais também.
Há 30 anos, os tratamentos não eram tão bons, não conseguiam viajar no nosso corpo até às células más onde morava o cancro.
Há 30 anos, os hospitais eram sítios de adultos onde nada estava preparado para uma criança.
Há 30 anos os pais não podiam ficar com os seus filhos em todos os hospitais e alguns que não tinham onde ficar acampavam na porta do hospital.
Há 30 anos as crianças como eu tinham de decidir se queriam estar doentes ou preferiam ir à escola.
Há 30 anos os pais que tinham filhos doentes deixavam de ganhar dinheiro nos seus trabalho.
Há 30 anos a vida dos miúdos com cancro era mesmo difícil! Agora… É tudo um bocadinho melhor.
Quando eu for mais crescido do que já sou hoje, quando a Acreditar, que ajudou a mudar tudo isto já for velhinha e tiver 60 anos, acho que os cancros vão ficar mais pequenos mais depressa porque os tratamentos vão ser como setas a acertar nos alvos, lançadas por médicos que sabem muito bem como lançar essas setas.
Acho que menos pais vão ficar preocupados com o dinheiro.
Mais meninos vão poder vir a ser pais e vão ser iguais a quem nunca teve cancro na minha idade.
Um grupo de pais de crianças em tratamento no IPO Lisboa cria um grupo de entreajuda. Movimento enquadrado na Liga Portuguesa Contra o Cancro que tem como grande impulsionador o Dr. António Gentil Martins que viria a ser sócio n. º1 da Acreditar.
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