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Testemunhos

Eu tinha 4 anos, uma idade de ingenuidade e de beleza da vida e a doença quis aparecer, sem pedir autorização

Eu tinha 4 anos, uma idade de ingenuidade e de beleza da vida e a doença quis aparecer, sem pedir autorização. Na altura, digo eu agora quase a completar 17 anos, não prestava a devida atenção à doença, mas até penso que fazia bem, porque, afinal, não queria manter uma relação muito longa com ela. Compreendo que a situação tenha sido muito mais preocupante para a minha família, principalmente, para os meus pais e irmãos. No entanto, eu lembro-me daquela estranha sensação de alguma coisa não estar bem e ainda tenho a imagem da minha mãe sentada num sofá a chorar (…). 

Acho também interessante o facto de eu não me lembrar de pensar muito em como podia ser a minha vida sem a doença, poder passar sem ela, sem ter que estar num hospital, e nem mesmo agora vejo a minha vida sem a ter comigo…”

É possível! Se ela está aqui é porque conseguiu e há esperança para mim!

“Tudo começou há 11 anos. Lá estava eu, com 12 anos, no quarto do serviço de pediatria do IPO, acompanhada pela minha mãe e o meu pai, quando entra pela porta uma rapariga loira, de olho azul, muito sorridente e bem-disposta. Começou a falar comigo, mesmo percebendo que o meu interesse em ouvi-la era pouco, e de repente toda a minha atenção se debruçou sobre as palavras dela: “Eu sou a Madalena, sou da Acreditar e sou Barnabé. Já estive nessa cama também, já estive sem cabelo e sei exactamente aquilo que estás a sentir”. De imediato foquei-me nos longos cabelos loiros dela e pensei: “É possível! Se ela está aqui é porque conseguiu e há esperança para mim!”. A partir desse dia, começou a ser escrita a minha história com a Acreditar.

Ao longo do período de tratamento foi-me prestado um incansável e incondicional apoio por parte de todos os voluntários da associação, quer em campos de férias em que participei (que foram muitos), quer em saídas pontuais ao circo, ao jardim zoológico e ao teatro. A possibilidade que a Acreditar me deu de partilhar toda aquela vivência com crianças e jovens na mesma situação, capazes de me entender na perfeição, foi um apoio de valor incalculável que nunca irei esquecer e que ainda hoje faz toda a diferença. 

Passados 9 anos do fim desta terrível experiência, continuo a fazer parte desta grande associação ainda que com um papel diferente. Hoje, sou voluntária e tento transmitir aos que estão a passar pelo serviço aquilo que há 11 anos aquela voluntária me transmitiu e que sei que nunca irei esquecer. Faz toda a diferença e eu acredito que o valor está em fazermos com as experiências negativas o melhor que conseguimos! No que depender de mim, continuarei sempre ligada à Acreditar porque o carinho, a força, as amizades, a cumplicidade e o bem-estar que me proporcionou e continua a proporcionar são essenciais na minha vida!”

Nasce uma amizade eterna e sincera, nascem risos, desabafos e conversas sem fim

“Os voluntários entram na nossa vida num momento menos bom, mas depois de tocarem o nosso coração nasce uma amizade eterna e sincera, nascem risos, desabafos e conversas sem fim. Para mim, o que os voluntários fazem é algo inexplicável e sem comparação. Um obrigado do fundo do coração.”

Lembro-me de não gostar da sensação de sair do quarto

Lembro-me de não gostar da sensação de sair do quarto onde ficava, pois era sinal de que ia fazer algum tratamento, ou exame, que achava que não ia ser muito agradável. Lembro-me de nem sempre gostar do cheiro da comida no hospital, nem das visitas de pessoas que não conhecia e que me faziam muitas perguntas, ou queriam simplesmente falar comigo para talvez me confortar, ou perceber o que eu estava a sentir em relação à doença e não só.”

Aprendi a viver o dia-a-dia

“Agora sei que posso ter uma recaída, amanhã, daqui a um mês, daqui a…, nunca mais! Nunca se sabe. Aprendi a viver o dia-a-dia.”

Isto aconteceu-me entre os 22 e os 28 anos

“Sou psicóloga, patient advocate e sobrevivente de cancro. Sou apaixonada pela vida e acredito que é relevante dar o meu testemunho para que consigamos reduzir o estigma (ainda) existente em relação ao cancro, bem como, melhorar aspectos relacionados com o bem-estar do doente e dos seus familiares.

Enquanto paciente de cancro senti que apenas uma ‘pequena parte’ da minha história teve a ver com os tratamentos. A maior parte do meu percurso esteve relacionada com sentimentos, pensamentos, fé/crença, flexibilidade e redescoberta da minha identidade. Da minha experiência, desenhei um propósito e acredito que, através da minha prática profissional, possa fazer uma diferença positiva na vida daqueles que se deparam com esta doença. (…)

Da minha experiência, partilho que efectivamente foi um trajecto longo e difícil, nalguns momentos acabei mesmo por duvidar se conseguiria superar doença, mas isso aconteceu! Hoje estou viva, saudável e considero-me um pessoa feliz!”

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