Search
Search
Search
Close this search box.

Sobre o Cancro Pediátrico

O que é

O cancro em crianças e jovens é raro. Em Portugal são diagnosticadas, anualmente, cerca de 400 crianças com cancro. Estes tipos de cancro podem ser bastante diferentes daqueles que afectam os adultos, tendem a ocorrer em zonas diferentes do corpo. Também parecem diferentes quando vistos ao microscópio e respondem de forma diferente aos tratamentos. As taxas de cura das crianças são muito superiores à da maioria dos casos de cancro em adultos. Em média, 82% (mais de 8 em cada 10 casos) de todas as crianças podem ser agora completamente curadas. Para alguns tipos de cancro pediátrico a taxa de cura é superior.

Os órgãos e tecidos do corpo são formados por pequenos componentes chamados células. O cancro é uma doença dessas células.

Normalmente, as células dividem-se de forma ordenada e controlada. Pode acontecer, porém, o processo descontrolar-se e as células continuarem a dividir-se. Em muitos casos, essas células transformam-se num nódulo chamado tumor. Os tumores são benignos ou malignos. Os médicos podem dizer se um tumor é benigno ou maligno retirando um pedaço de tecido e examinando uma pequena amostra das células ao microscópio (biópsia).

Num tumor benigno, as células não se espalham por outras partes do corpo e, por isso, não são cancerígenas. No entanto, podem continuar a crescer no local original e podem provocar problemas ao fazer pressão nos órgãos adjacentes. Num tumor maligno, as células cancerígenas conseguem espalhar-se para além da zona original do corpo.

O cancro não é infeccioso, não se transmite a quem entra em contacto com o seu filho.

PRINCIPAIS TIPOS DE CANCRO EM IDADE PEDIÁTRICA
Leucemia

A leucemia é um cancro da medula óssea. A medula óssea é o material esponjoso no meio dos nossos ossos, onde são geradas as células sanguíneas. Quando alguém tem leucemia, o seu corpo produz demasiados glóbulos brancos “anormais”. As células normalmente não formam um nódulo (tumor), mas viajam pelo corpo, através do sangue e podem infiltrar-se noutros órgãos.

A leucemia é o cancro mais comum em crianças. Os principais tipos encontrados em crianças são a leucemia linfoblástica aguda (LLA) e a leucemia mielóide aguda (LMA).

Só após o conhecimento do tipo exacto de leucemia, os médicos podem definir o prognóstico e planear o tratamento mais eficaz.

Tumor do Sistema Nervoso Central

Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) – sistema constituído pelo cérebro e medula espinhal – são neoplasias sólidas e constituem o segundo tipo de tumor mais frequente nas crianças, a seguir às leucemias.

Sarcoma

Os sarcomas (incluindo os sarcomas dos tecidos moles e os osteossarcomas) desenvolvem-se a partir de tecidos, tal como ossos ou músculos, e podem surgir em qualquer parte do corpo.

Neuroblastoma

O neuroblastoma é o tumor sólido mais frequente em idade pediátrica depois dos tumores do sistema nervoso central. É um cancro de células nervosas imaturas que ocorre com mais frequência em crianças pequenas. Habitualmente o local de origem é nas glândulas supra-renais, mas pode ocorrer no pescoço, tórax, abdômen e coluna vertebral onde existe células do sistema nervoso simpático (periférico). 

Linfoma

O linfoma é o cancro do sistema linfático, e pode surgir em qualquer tecido linfático do corpo. Existem dois tipos principais de linfoma: o linfoma de Hodgkin (HL), por vezes denominada doença de Hodgkin e o linfoma não-Hodgkin (NHL).

O QUE PROVOCA O CANCRO?

Ainda não se sabe o que provoca o cancro pediátrico, apesar da ciência procurar respostas.

É muito raro haver duas crianças numa família a desenvolver cancro, pois a maioria dos cancros não é hereditário, pelo que normalmente não é necessário investigar os irmãos.

Por vezes, os pais pensam que fizeram ou deixaram de fazer algo que pode ter provocado a doença. Não é o caso, não há nada que pudessem ter feito ou deixado de fazer. Não devem sentir-se culpados ou responsáveis pela doença dos vossos filhos, esse sentimento não tem fundamento científico.

O cancro não é infeccioso por isso não foi transmitido por ninguém nem os vossos filhos o podem transmitir.

Diagnóstico

Diagnóstico significa descobrir se o seu filho tem cancro e, em caso afirmativo, de que tipo é. Os médicos fá-lo-ão avaliando os sintomas e fazendo exames.

Quando uma criança tem sintomas que podem ser provocados por um cancro, será encaminhada pelo seu médico de família ou hospital local para um dos seguintes especialistas: pediatra (especialista no tratamento de crianças) ou oncologista pediátrico (especialista no tratamento de crianças com cancro).

Em Portugal, as crianças com cancro, na sua maioria, são tratadas no Serviço de Oncologia Pediátrica de um dos seguintes hospitais:

Lisboa – IPO Lisboa

Coimbra – Hospital Pediátrico de Coimbra

Porto – IPO Porto e Hospital de São João

EXAMES

Podem ser feitos vários exames para diagnosticar a doença do seu filho. Os exames são realizados pelos seguintes motivos:
– para que o cancro possa ser diagnosticado com precisão;
– para ver em que parte do corpo está o cancro;
– para avaliar a saúde geral do seu filho, pois isso poderá influenciar o tratamento a ser administrado.
Por vezes, é difícil distinguir entre tipos específicos de cancro. Relativamente ao diagnóstico, o médico do seu filho poderá pedir a opinião e conselho a outros médicos. Se necessário, terá o apoio de outros especialistas em cancro em todo o Portugal e também no estrangeiro.

Mesmo depois de o diagnóstico ter sido feito, poderão ser necessários outros exames. Isto pode significar que o tratamento só começa após alguns dias. O cancro desenvolve-se normalmente de forma lenta, pelo que atrasar o início do tratamento por um curto período de tempo não é um problema. É importante conhecer as especificidades do cancro do seu filho para o médico poder escolher o tratamento mais eficaz.
No entanto, para alguns tipos de cancro é importante iniciar o tratamento imediatamente. O médico do seu filho discutirá isso consigo.
Estão aqui descritos alguns dos exames mais comuns. Alguns poderão repetir-se no decurso do tratamento para avaliar a sua eficácia

Biopsia

Se o médico achar que o tumor pode ser maligno, poderá remover parte deste para o examinar ao microscópio. Existem dois tipos de biópsia:

Biópsia com agulha – coloca-se uma agulha no tumor através da pele para remover uma pequena parte. Este exame pode ser feito com anestesia local.

Biópsia excisional ou cirúrgica – remove-se uma parte do tumor durante uma pequena operação, com anestesia geral. Por vezes o cirurgião poderá conseguir remover todo o tumor, em vez de retirar apenas uma amostra.

A amostra das células é enviada para um laboratório para ser examinada por um patologista (médico que estuda os tecidos do organismo). O patologista poderá dizer se a amostra é cancerígena ou não, e, se for, que tipo de cancro é. Os resultados de uma biópsia demoram normalmente vários dias.

Análises ao sangue

Poderão ser feitas as seguintes análises:

Hemograma – esta análise mede o número dos diferentes tipos de células sanguíneas no sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). É uma das principais formas de monitorizar os efeitos secundários do tratamento.

Bioquímica – esta análise mede os níveis de determinados sais e proteínas no sangue. Dá informações sobre a forma como os órgãos do corpo, como o fígado e os rins, estão a funcionar.

Grupo sanguíneo – as amostras de sangue podem ser usadas para encontrar um dador que corresponda ao sangue do seu filho, caso seja necessária uma transfusão de sangue no decurso do tratamento.

Hemocultura – amostra de sangue para detecção de uma eventual infecção analisada por microbiologistas (cientistas que estudam os tipos de infecção).

Coagulação do sangue – o sangue pode ser analisado para se avaliar o tempo de coagulação, e se há risco de hemorragia. A coagulação pode ser afectada pelo cancro ou pelos tratamentos associados.

Outros exames – também poderá tirar-se sangue para verificar se o seu filho teve algum tipo de vírus no passado, como sarampo, hepatite, rubéola, citomegalovírus (CMV) ou vírus da varicela zoster (VVZ).

Exame de medula óssea | Mielograma

Alguns tipos de cancro podem afectar a medula óssea. A medula óssea é o material esponjoso que se encontra entre alguns dos nossos ossos. Produz células chamadas células estaminais, que se desenvolvem em três tipos diferentes de células sanguíneas:

– Glóbulos vermelhos, que transportam oxigénio pelo corpo;

– Glóbulos brancos, que fazem parte do sistema imunológico e que são essenciais para combater as infecções;

– Plaquetas, que ajudam o sangue a coagular e, como tal, a controlar hemorragias.

Para se retirar uma amostra de medula óssea introduz-se suavemente uma agulha no osso ilíaco. É então enviada para um laboratório, para análise.

Este exame é feito normalmente com anestesia geral ou sedação, para haver a garantia de que o seu filho sente o menor desconforto possível. As crianças mais velhas podem preferir uma anestesia local. O osso de onde a amostra é retirada pode ficar dorido durante alguns dias após a colheita.

O exame da medula óssea pode ser feito quando o seu filho é diagnosticado, ou, por vezes, durante ou no final do tratamento.

Punção Lombar (PL)

Nalgumas situações, como leucemia ou linfoma por exemplo, as células cancerígenas podem passar para o fluido que envolve o cérebro e a medula espinhal (líquido cefalorraquidiano ou LCR). Para verificar se isso aconteceu ou não, são retiradas algumas gotas do LCR. Isto é feito através da introdução de uma agulha fina na região da coluna lombar, entre dois ossos da coluna vertebral, na sua parte inferior. É a chamada punção lombar, e é feita geralmente com anestesia geral.

A amostra de LCR é então examinada para verificar a presença de células cancerígenas. Por vezes, como parte do tratamento do cancro, os medicamentos (quimioterapia) são injectados no LCR. Isto é conhecido como quimioterapia intratecal.

Raio X

Quando visto ao raio-X, um tumor parece muitas vezes diferente do tecido saudável. Um raio-X pode revelar se há um tumor no peito, na barriga (abdómen) ou nos ossos.

Ecografia

Este exame usa ondas sonoras para criar uma imagem do interior do corpo. Espalha-se um gel na parte do corpo a ser analisada. Um pequeno dispositivo, tal como um microfone que produz ondas sonoras, é feito passar pela área. Um computador converte as ondas sonoras numa imagem.
As ecografias são totalmente seguras e são usadas principalmente para examinar a barriga (abdómen), o coração e os músculos.

TAC

Uma tomografia computorizada faz uma série de raios-x que formam uma imagem tridimensional do interior do corpo. Demora 10 a 30 minutos e é indolor, mas o seu filho poderá tomar um sedativo ou fazer uma anestesia geral para garantir que fica quieto. Por vezes são injectados corantes especiais (contraste) numa veia, ou mesmo ingeridos, para que certas partes do corpo ressaltem melhor na TAC.

Ressonância Magnética

Este exame usa o magnetismo para construir uma imagem detalhada de áreas do corpo. O exame é indolor, mas poderá ser um bocadinho assustador, pois a máquina é muito ruidosa e o seu filho tem de permanecer quieto e deitado num túnel estreito. Poderá ser-lhe dado um sedativo ou uma anestesia geral para garantir que ele permanece quieto. Também receberá tampões para os ouvidos ou auscultadores, que deverão ser usados. Os pais assinam um formulário para confirmar que o seu filho não tem quaisquer objectos metálicos no corpo, como, por exemplo, aparelho dentário. Os pais poderão ser autorizados a permanecer na sala enquanto o filho faz o exame.

Cintigrafia Óssea

Se o seu filho tiver um tumor ósseo ou um tumor que possa ter-se espalhado para os ossos, este exame mostrará a quantidade de osso afectado. É injectada uma pequena dose de uma substância radioactiva numa veia, geralmente no braço. A substância é absorvida pelo osso. Áreas anormais do osso absorvem mais substância do que os ossos saudáveis e destacam-se no scanner como “pontos quentes”. A dose de radiação é muito baixa e não é prejudicial.

PET | Tomografia por emissão de positrões

O PET scan usa uma dose baixa de glicose radioactiva (um tipo de açúcar) para medir a actividade das células em diferentes partes do corpo. Injecta-se uma quantidade muito pequena de uma substância levemente radioactiva numa veia, geralmente no braço. Algumas horas depois faz-se então uma leitura num equipamento parecido com o da TAC. As áreas onde se manifesta o cancro são geralmente mais activas do que o tecido circundante, e ressaltam. A dose de radiação é muito baixa e não é prejudicial.

Teste de TFG | Taxa de filtração glomerular

Este teste mostra como os rins estão a trabalhar e se estão a eliminar os fármacos. É feito antes de alguns tipos de quimioterapia e pode ser repetido durante o tratamento. Envolve a injecção de um corante radioactivo numa veia. São feitas análises ao sangue duas, três e quatro horas depois. Pode ser aplicado um creme anestésico local antes da injecção e das análises ao sangue, para torná-las menos dolorosas. A dose de radiação é muito baixa e não é prejudicial.

Audiograma

Alguns tratamentos do cancro podem afectar a audição do seu filho. Por isso, o seu filho poderá realizar um audiograma (teste auditivo) antes, durante e após o tratamento. Este teste auditivo detalhado é feito numa sala silenciosa, no hospital. Pedir-se-á ao seu filho para ouvir sons em diferentes frequências através de auscultadores ou altifalantes.

Oftalmologia

Nalgumas crianças, a sua visão poderá ser prejudicada pela localização de um tumor. O objectivo é tratar os tumores antes que estes tenham causado muitos danos e assim impedir que a visão do seu filho piore. A monitorização regular é feita nas crianças cuja visão corre maior risco de ficar prejudicada.

ESTADIAMENTO

O estadiamento de um cancro significa o tamanho do tumor e se ele se espalhou para além do sítio onde começou. Conhecer a extensão do cancro ajuda os médicos a decidirem sobre o melhor tratamento para o seu filho.

O estadiamento aplica-se a quase todos os tipos de cancro, excepto a leucemia. O cancro divide-se normalmente em quatro etapas:

Estadio 1 – O cancro é pequeno e apenas num local do corpo;

Estadios 2 ou 3 – O cancro espalhou-se para partes do corpo próximas do local onde começou;

Estadio 4 – O cancro pode ter-se espalhado para outras partes do corpo.

Diferentes tipos de cancro têm sistemas de estadiamento específicos. Os médicos falarão consigo sobre a situação do seu filho e explicarão o que significa a situação.

Tratamentos

Antes de o seu filho receber qualquer tratamento, o médico explicará os objectivos e possíveis efeitos secundários. É necessário assinar um formulário a dar autorização à equipa do hospital para avançar com o tratamento. Quando uma criança tem 16 anos poderá dar o consentimento ao próprio tratamento (a lei sobre o consentimento das crianças ao tratamento é complexa, pelo que deve discutir com o médico quaisquer preocupações que tenha).

Antes de assinar o formulário, deverá pedir informações completas sobre:

  • o tipo e a duração do tratamento;
  • quaisquer riscos significativos ou efeitos secundários;
  • quaisquer outros tratamentos que possam estar disponíveis.
 

Se não tiver compreendido tudo, peça à equipa que lhe explique novamente. Para a maioria dos pais, esta é toda uma nova linguagem e o estado emocional pode não ajudar a assimilar facilmente toda a informação.

Também poderá ser útil fazer uma lista de perguntas antes da consulta. Por vezes, os pais sentem que a equipa do hospital está demasiado ocupada para responder às perguntas, mas é importante pedirem o tempo necessário para esclarecerem todas as dúvidas.

CIRURGIA

A cirurgia é uma parte importante do tratamento de alguns tipos de cancro. Dependendo da dimensão e do local onde se encontra o tumor, o primeiro passo do tratamento pode ser removê-lo. Nalguns casos, pode fazer-se quimioterapia ou radioterapia antes da operação para diminuir o tamanho do tumor e facilitar a intervenção.

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia é a utilização de medicamentos anti-cancerígenos (citotóxicos) para destruir as células do cancro. Os medicamentos são transportados no sangue e podem chegar às células cancerígenas em todo o corpo. 

A quimioterapia pode ser administrada de diferentes maneiras – em comprimidos, cápsulas, líquidos engolidos ou por injecção. Existem muitos termos técnicos que descrevem como os medicamentos são administrados. Verá esses termos na tabela de medicamentos do seu filho e nos planos de tratamento (protocolos).

Os termos vulgares são:

  • Intravenosa ou IV – injecção directamente numa veia ou no cateter venoso central;
  • Por via oral ou PO – comprimidos, cápsulas ou um líquido que é engolido;
  • Injecção intramuscular (no músculo);
  • Injecção subcutânea (sob a pele);
  • Intratecal ou por punção lombar.

A forma mais vulgar de administrar quimioterapia é a intravenosa (IV). Pode ser administrada numa veia, quer através de um cateter venoso central ou de um cateter implantado. Ambos passam por tubos que são introduzidos numa veia e que podem permanecer no lugar por alguns meses ou, nalguns casos, anos. Podem ser usados para tirar sangue, bem como para administrar um tratamento e outros medicamentos. Estes dispositivos evitam que a criança seja picada repetidamente sempre que é necessário fazer um tratamento.

Por vezes o tratamento é administrado através de um tubo fino flexível que é introduzido numa veia periférica e, de seguida, preso com adesivo ao braço do seu filho. Chama-se um cateter periférico (Abocath ®). Um cateter periférico só permanece no lugar por alguns dias.

Normalmente, os médicos sugerem o tipo de cateter mais adequado para a situação. Os medicamentos quimioterápicos são normalmente diluídos num saco de líquido, tal como água salgada (salina) e administrados como um gotejamento (infusão) através do cateter.

A quimioterapia tem de ser planeada com cuidado. É administrada normalmente como uma série de sessões de tratamento. Cada sessão destrói algumas das células cancerosas e provocará alguns danos às células saudáveis. Depois de cada tratamento há geralmente um período de descanso, para permitir que as células saudáveis recuperem antes da dose seguinte. Uma sessão de quimioterapia e o período de descanso são conhecidos como um ciclo de tratamento. Uma série de ciclos constitui o tratamento.

IMUNOTERAPIA

A imunoterapia visa células cancerígenas específicas. Por exemplo, o rituximab é um tratamento usado para certos tipos de linfoma. Liga-se a uma proteína específica na célula cancerígena e acciona o próprio sistema imunológico do corpo para atacar e destruir as células cancerígenas. Uma vez que tem como alvo células específicas, outras partes do corpo não são afectadas e os efeitos secundários costumam ser leves. A imunoterapia é adequada apenas para certos tipos de cancro. É administrada geralmente com quimioterapia.

TERAPIA DIRIGIDA

Têm vindo a desenvolver-se medicamentos novos para o cancro pediátrico que actuam de maneira diferente da quimioterapia. Actuam através do bloqueio de um gene específico ou de uma proteína existente nas células cancerígenas. Poderão fazer-se análises laboratoriais específicas às células cancerígenas do seu filho para avaliar se algum dos novos medicamentos poderá ser utilizado. Uma vez que estes medicamentos são novos, são usados frequentemente em ensaios clínicos.

RADIOTERAPIA

A radioterapia trata o cancro usando raios com elevada energia para destruir as células cancerígenas numa parte específica do corpo, prejudicando o mínimo possível as células normais. O tratamento é feito no serviço de radioterapia do hospital, consistindo numa série de sessões diárias curtas.

Os tratamentos são feitos de segunda a sexta-feira, com descanso ao fim de semana. O médico do seu filho discutirá consigo o tratamento e os possíveis efeitos secundários. A duração do tratamento dependerá do tipo de cancro que o seu filho tem.

A radioterapia tem de ser planeada com cuidado, e isso pode implicar algumas visitas ao hospital. Na primeira visita do seu filho ao Serviço de Radioterapia, pode ter de fazer uma tomografia computorizada (TAC) ou permanecer deitado sob uma máquina chamada simulador. O tomógrafo ou simulador faz um raio-X da área a ser tratada.

O tratamento é planeado por um especialista em radioterapia (radioterapeuta). Poderão desenhar-se marcas na pele do seu filho para ajudar o técnico, que efectua o tratamento, a posicioná-lo com precisão. Isto garante que o tratamento é sempre aplicado no lugar certo.

Por vezes é feito um molde ou uma máscara para manter imóvel a parte afectada do corpo, sempre que o tratamento é efectuado. Os médicos ou enfermeiros especialistas darão mais explicações, caso o seu filho precise de um molde ou de uma máscara.

SESSÕES DE TRATAMENTO

No início de cada sessão de radioterapia, o técnico de radioterapia colocará cuidadosamente o seu filho no sofá, assegurando-se de que está confortável. O seu filho tem de estar sozinho na sala, mas poderá conversar com o técnico, que está a observar na sala contígua.

A radioterapia não é dolorosa, mas, enquanto decorre o tratamento, é preciso que o seu filho fique completamente quieto durante alguns minutos. Poderá ser necessário dar-lhe uma anestesia geral para que possa realizar-se o tratamento.

A radioterapia não tornará o seu filho radioactivo, sendo seguro para ele estar com outras pessoas.

Existem diferentes tipo de radioterapia como a radioterapia com protões.

TRANSPLANTES DE MEDULA ÓSSEA OU DE CÉLULAS ESTAMINAIS

Um transplante de células estaminais (por vezes chamado transplante de medula óssea) permite que o seu filho tenha doses muito mais elevadas de quimioterapia do que o normal. Isto pode melhorar as hipóteses de cura do cancro, mas tem mais efeitos secundários.

Medula óssea e células estaminais – a medula óssea é um material esponjoso que se encontra no interior de alguns dos nossos ossos ocos. A medula óssea contém células estaminais. São células numa fase muito inicial de desenvolvimento, que se diferenciam nos três diferentes tipos de células sanguíneas. Quando as células estiverem completamente amadurecidas são libertadas na corrente sanguínea.

Transplante de células estaminais – antes de um transplante de células estaminais, as células estaminais são recolhidas, quer da medula óssea, quer do sangue. O seu filho receberá então doses muito elevadas de quimioterapia, geralmente ao longo de alguns dias. Por vezes também se faz radioterapia em todo o corpo, conhecida como radiação do corpo inteiro.

Além de destruir quaisquer células cancerígenas remanescentes, as altas doses de quimioterapia também destroem as células da medula óssea, o que é essencial para se poder fazer o transplante (para o corpo poder receber uma medula nova).

Após a quimioterapia, o seu filho recebe, através de gotejamento, as células estaminais que foram recolhidas antes do tratamento. Elas entram na medula óssea e começam a produzir de novo células sanguíneas amadurecidas.

Os principais tipos de transplante:

– Autólogo ou autotransplante – este tipo usa as células estaminais do seu filho. As células estaminais são recolhidas algum tempo antes do tratamento e armazenadas até serem necessárias;

Alogénico – este tipo usa células estaminais de um dador – também é conhecido como aloenxerto. Um transplante alogénico é um procedimento mais complicado do que um transplante autólogo, e só é realizado em hospitais especializados. A recuperação pode demorar vários meses.

REDUZIR O RISCO DE INFECÇÃO DURANTE O TRATAMENTO

Existem várias maneiras de ajudar a reduzir os riscos de infecção do seu filho:

– Uma boa higiene das mãos – assegure-se sempre que as mãos são lavadas e limpas regularmente com sabão e água, em particular depois de uma ida à casa de banho, antes de comer ou beber, e depois de tocar em animais. O álcool gel é uma boa maneira de desinfectar rapidamente as mãos que já estejam lavadas. É um bom conselho para ser seguido por toda a família;

– Evitar qualquer pessoa que esteja obviamente infectada, ou seja, a tossir ou espirrar excessivamente, como por exemplo em transportes públicos, lojas, cinemas, viagens e visitantes de casa;

– Beber água engarrafada;

– Vacinas / Imunizações para a família – garantir que o médico do seu filho lhe dá um aconselhamento completo sobre rubéola, sarampo, vacinas vivas e gripe.

TRATAMENTOS COMPLEMENTARES/MEDICINAS ALTERNATIVAS

É natural que queira ajudar o seu filho de todas as maneiras possíveis.

Alguns pais recorrem a tratamentos complementares para ajudar os filhos a manterem-se saudáveis, a atenuar os efeitos secundários e a melhorar a sua sensação de bem-estar. Se quiser que o seu filho faça um tratamento complementar, é importante discuti-lo previamente com o médico do seu filho, pois pode alguma coisa interferir ou interagir com o tratamento hospitalar.

PESQUISA E ENSAIOS CLÍNICOS

Com vista a encontrarem-se novos e melhores tratamentos para o cancro, são realizados estudos e pesquisas sobre a doença. Os ensaios realizados em pacientes são conhecidos como ensaios clínicos. A existência de ensaios clínicos possibilita cada vez melhores resultados para a cura do cancro pediátrico.

Tipos de pesquisa:

– Testar novos tratamentos, tais como quimioterapia nova;

– Olhar para novas combinações de tratamentos existentes, ou alterar a maneira como são feitos, para torná-los mais eficazes ou para reduzir os efeitos secundários;

– Comparar a eficácia dos medicamentos usados para controlar os sintomas;

– Descobrir como funcionam os tratamentos do cancro;

– Procurar melhorar a qualidade de vida e os serviços para crianças e jovens que foram tratados contra o cancro;

– Olhar para a biologia do cancro e o seu tratamento;

– Descobrir quais os tratamentos que são mais eficazes em termos de custo.

Os ensaios são a única maneira fiável de descobrir se um tipo diferente de cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou outro tratamento é melhor do que o disponível. A participação regular e efectiva dos três centros portugueses de referência de oncologia pediátrica em ensaios clínicos requer a alocação de recursos financeiros e humanos, como a existência de pessoal qualificado e com tempo dedicado à investigação, e isso não tem sido possível, apesar de clínicos, investigadores, pais e doentes se bateram por mais recursos e investimento alocados a esta esta área. Em Portugal, a participação de doentes oncológicos pediátricos em ensaios clínicos é residual.

COMO CONTAR AO MEU FILHO?

Saber o que dizer e quanta informação partilhar com o seu filho poderá ser um dos aspectos mais difíceis. Dependendo da idade, quererá saber o que lhe vai acontecer, nomeadamente em termos de tratamentos, efeitos secundários (como as náuseas e a queda de cabelo), quanto tempo vai ficar no hospital, o que vai acontecer nas suas relações com os amigos, a escola, as actividades que praticava nos tempos livres, e outros assuntos possíveis.

Algumas sugestões:

– Peça orientação aos médicos, enfermeiros ou psicólogos sobre a maneira de conversar com o seu filho;

– Conte com os livros informativos da Acreditar para explicar a doença e outras questões relacionadas com a mesma.

E QUANDO HÁ IRMÃOS?

A doença e os tratamentos requerem uma maior atenção à criança ou jovem doente que, acrescendo a todas as alterações inerentes, terá impacto sobre os irmãos. Poderão estar assustados com a doença, sentirem-se culpados, sentirem-se tristes com a ausência dos pais e do irmão doente. 

Algumas sugestões:

– A Acreditar tem um livro dirigido aos irmãos. Veja-o aqui.

– Sempre que possível, envolva os irmãos no processo da doença, dê espaço para que esclareçam todas as suas dúvidas e medos e peça-lhes ajuda para pequenas tarefas;

– Passe tempo de qualidade com os irmãos, dando-lhe a atenção e segurança que necessitam;

– Também para eles está disponível o apoio psicológico da Acreditar. Contacte-nos.

NEWSLETTER ACREDITAR

  • as últimas noticias sobre a Acreditar e Oncologia Pediátrica;
  • oportunidades para fazer a diferença na vida das crianças com cancro.
* Campo Obrigatórios

Ao subscrever está a aceitar a Política de Privacidade da Acreditar. Damos muito valor à sua privacidade e por isso garantimos a confidencialidade dos seus dados.

Damos valor à sua privacidade

Ficha de Inscrição para Sócio